sábado, 18 de dezembro de 2010

Objetivos deste Blog

O termo “assexual” ou “assexuado” tem sido tradicionalmente utilizado como referência a amebas e outros organismo unicelulares.  Recentemente,  uma nova definição de assexualidade, compreendida como a condição de seree humanos quem não sentem atração sexual, tem ganhado visibilidade, em grande parte devido ao surgimento de comunidades virtuais de assexuais na internet. Em lugar do transtorno e do distúrbio, a palavra assexualidade tem sido associada à orientação do desejo sexual.

Os raros trabalhos científicos existentes sobre a assexualidade (a maioria nos Estados Unidos e Canadá) a definem em termos de falta de orientação sexual, falta de atividade sexual, baixo nível de excitação sexual, falta de atração sexual. Portanto, não há ainda definição capaz de englobar a diversidade das experiências relatadas por indivíduos que se autodefinem como assexuais. Alguns estudiosos ainda desconhecem a assexualidade, ou duvidam de sua existência fora no contexto do transtorno sexual. A literatura existente afirma que a assexualidade é diferente do celibato. O celibato é uma decisão consciente do indivíduo em manter-se abstinente, ou seja, a atração sexual existe, porém, o individuo escolhe não engajar-se em atividade sexual. Já os assexuais afirmam não sentir atração sexual.

A falta de desejo sexual tem sido tratada pela ciência como transtorno, seja por causas psicológicas, hormonais ou físicas. Isso se deve em grande parte ao discurso médico e biológico, que afirma que o sexo tem a função clara da reprodução, da propagação da espécie. Esse discurso ainda é muito forte na construção das representações sociais de sexualidade, reforçando a heterossexualidade como única condição “normal” em meio a outras possibilidades de condutas e identidades sexuais.

A heteronormatividade tem ocupado historicamente o espaço da normalidade, enquanto outras sexualidades minoritárias têm sido consideradas desviantes da norma. O debate, no entanto, parece concentrar-se no binarismo heterossexualidade-homossexualidade, tendo a bissexualidade no vértice do triângulo, como se fossem essas as únicas possibilidades existentes de orientação do desejo sexual. Os discursos sobre orientação sexual presentes no debate público e científico partem do princípio de que o desejo sexual é universal, embora se manifeste de diferentes maneiras.

O reconhecimento da existência de certo número de pessoas que afirma não sentir atração sexual (e em alguns casos, atração afetiva), sem que isto seja fonte de angústia, desafia esta certeza, que até agora tem se mostrado indiscutível ao longo da história. O discurso dominante nas sociedades contemporâneas reitera que o desejo e a atividade sexual, bem como a formação de relações amorosas, constitui parte da própria saúde e felicidade dos indivíduos.

Ainda em estado incipiente, a possibilidade da assexualidade como orientação sexual ainda é pouco conhecida, inclusive para assexuais em potencial. Percebe-se esse fato nas narrativas presentes nos fóruns das comunidades virtuais de assexuais na internet. Nestas, os sujeitos narram suas trajetórias na “descoberta” da “existência” da assexualidade, e como esse evento mudou suas vidas, liberando-os da pressão de adaptar-se a uma sociedade que tem na relação afetivo-sexual uma de suas características mais marcantes.

A assexualidade ainda não conta com estudos acadêmico-científicos publicados no Brasil. Como pesquisadora, iniciei recentemente uma investigação de cunho sociológico sobre este tema, tendo como ponto de partida os estudos publicados nos Estados Unidos e Canadá, esperando ampliar oportunamente para a experiência brasileira. O objetivo deste blog é trazer aos assexuais, suas famílias, amigos, pesquisadores e demais interessados, alguns desses conhecimentos, os quais espero somar à pesquisa que estou desenvolvendo.

Os assexuais não constituem um grupo homogêneo. A mesma pluralidade de experiências existente em grupos  heterossexuais, homossexuais, bissexuais, entre outros,  também se faz presente entre os assexuais. Daí, o nome escolhido para este blog ser ASSEXUALIDADES, assim, no plural, para melhor tentar abarcar esta multiplicidade de modos de ser assexual.

Espero que as informações que serão compartilhadas aqui nos próximos meses possam ser úteis e esclarecedoras aos leitores.

Até a próxima.