sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Link para entrevista sobre assexualidade na RedeTV


A RedeTV! liberou o link para minha entrevista sobre assexualidade com o apresentador Amaury Jr, que foi ao em 14/06/12:  http://mediacenter.amauryjr.com.br/mediacenter/principal_video.asp?id=3404

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Ovelhas, ratinhos e ratões: a assexualidade no mundo animal

Embora a abordagem da minha pesquisa seja sociológica, hoje trago um artigo sobre a assexualidade humana produzido na área de biologia, escrito pelos cientistas Wendy Portillo e Raul Paredes, do Instituto de Neurobiologia da Universidade Autônoma do México. Faço um recorte no artigo para relatar somente as observações gerais e as conclusões dos autores, uma vez que parte do artigo traz informações e dados muito complexos para quem não conhece a área de biologia, como é o meu caso.
Em minha opinião, abordagens biológicas da sexualidade trazem três problemas principais. Em primeiro lugar, priorizam aspectos sexuais do corpo biológico (genes, hormônios, etc.) e não consideram as construções históricas, culturais e sociais tanto do corpo como da sexualidade. O segundo ponto problemático de algumas pesquisas é a busca em estabelecer semelhanças de padrões de comportamento humano e comportamento animal, gerando o questionamento sobre a possibilidade realista dessas comparações. O terceiro problema é que estas pesquisas – por mais bem-intencionadas que sejam – acabam por patologizar determinados comportamentos sexuais humanos, ao utilizar o padrão comportamental heterossexual como modelo a partir do qual as outras sexualidades são avaliadas.
Apesar desses problemas, as pesquisas do campo da biologia têm trazido algumas contribuições à compreensão da sexualidade em sua totalidade, considerando que existe um corpo biológico no qual parte da sexualidade acontece. Portanto, é útil ao menos conhecê-las.
Os autores fazem uma introdução ao artigo, a partir de suas leituras da obra de Alfred Kinsey (que também era biólogo) e também de alguma produção teórica sobre assexualidade, sobretudo do psicólogo canadense Anthony Bogaert. Em seguida, trazem suas próprias considerações sobre assexualidade a partir de suas experiências no campo da neurobiologia.
Portillo & Paredes afirmam que em diversas espécies de mamíferos, a ciência já tinha observado a existência de machos aparentemente normais, que não seguiam o padrão de conduta sexual da maioria, mesmo quando estimulados por fêmeas sexualmente receptivas. Esses animais, conhecidos como não copuladores (NC), poderiam ser equivalentes aos assexuais humanos. Mesmo assim, reconhecem os autores, é necessário reconhecer as limitações dessas comparações, considerando que o ser humano é portador de uma estrutura psicológica, impossível de se analisar nos animais.
As espécies de animais nos quais foram identificados machos não copuladores são as ovelhas e algumas espécies de roedores, como ratos, cobaias, camundongos e hamsters. Os machos não copuladores correspondem de 1%-5%, porcentagem próxima à estimativa de alguns cientistas para humanos que não têm interesse pela atividade sexual. Os pesquisadores ressaltam que não existem estudos sobre interesse sexual em fêmeas mamíferas. O grupo de pesquisa de Portillo & Paredes apurou que os ratos machos não copuladores apresentam baixa motivação sexual, enquanto os machos copuladores apresentam uma clara preferência pelas fêmeas sexualmente receptivas.
Segundo os estudiosos, estas deficiências podem ser causadas por alterações no sistema nervoso central. O conjunto de pesquisas estudadas pelos pesquisadores sugere que a falta de interesse por sexo no mundo animal tem um componente biológico importante que pode modificar o sistema nervoso central, e consequentemente, sua função.
Portillo & Paredes concluem afirmando que a assexualidade é uma dimensão da sexualidade, porém somente agora estão sendo realizadas pesquisas sobre a assexualidade humana de forma sistemática. Em outras espécies de mamíferos, também foi observada a existência de machos assexuais, o que sugere a existência de um componente biológico. Em roedores e carneiros não copuladores foram observadas alterações no sistema nervoso central. Para os autores, a sexualidade deve ser compreendida como um continnum, no qual, de um lado, existem sujeitos exclusivamente homossexuais, heterossexuais ou bissexuais; agora deve-se incluir aqueles que se identificam como assexuais. A pesquisa das bases biológicas e psicológicas da assexualidade e de outras orientações sexuais representa um amplo campo de estudo que nos permitirá uma melhor compreensão das complexidades da sexualidade, segundo os pesquisadores.

TEXTO COMENTADO

Portillo, W.; Paredes, R. Asexualidad. Revista Digital Universitaria. Volumen 12, Numero 3, 2011



Encaminho o link para a palestra sobre assexualidade proferida por mim no Instituto de Psicologia da USP no dia 06/08/12: http://www.youtube.com/watch?v=uF4iJahhQBI&list=UUFXt71mX_7dxwQua633KQrQ&index=1&feature=plcp
 
Prezados leitores/as,
Gostaria de agradecer de coração a todos/as aqueles/as que tão generosamente têm se oferecido para contribuir com a minha pesquisa sobre assexualidade, concedendo entrevistas, com toda confiança na seriedade desse trabalho.
Continuo com as entrevistas (pessoalmente e por e-mail)  caso alguém queira participar. Quem estiver interessado, por favor,  mande uma mensagem para  elisabete.regina.oliveira@usp.br . Os requisitos para participação são os seguintes: ter no mínimo 18 anos (ou autorização dos responsáveis para menores de 18 anos)  e se identificar como assexual/assexuado/a. Trata-se de uma pesquisa inédita no Brasil e colocará nosso país entre os pioneiros na produção de conhecimentos sobre a assexualidade no mundo. Conto com vocês. Obrigada!